Colégio ESPÍRITO SANTO

Canoas/RS

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09/05/2018

Maternidade e os tons de azul do autismo

A maternidade é um constante processo de expectativas e de desafios. Do nascimento à fase adulta, todas as mães se renovam na forma de se relacionar com os filhos. Cada uma do seu jeito.

Entre as mães de alunos do Colégio Espírito Santo, isto não é diferente. Para elas, o segundo domingo de maio é o dia de festejar estes laços que criaram com os filhos.

Mas, para Ana Paula Dihl Kohlmann, mãe do aluno Carlos Eduardo, o Cadu, de 14 anos, outra data do calendário também é celebrada com o mesmo sentido: 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Desde que o filho recebeu o diagnóstico de autismo aos 8 anos, ela vem aprendendo a lidar com o universo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e busca as melhores intervenções e tratamentos interdisciplinares. “O diagnóstico de autismo faz com que as expectativas sejam revistas. Por um período, somos envolvidas em uma série de dúvidas, angústia e um sofrimento inevitável. Mas a essência da maternidade é cercada por amor incondicional e cuidado. A soma desses sentimentos fazem com que tenhamos dedicação extrema na busca por qualidade de vida para nossos filhos. A expectativa é outra, mas as alegrias são intensas nessa maternidade atípica. Cada pequena conquista se transforma em acontecimento. Costumo dizer que nesta ‘montanha russa’ chamada autismo também podemos erguer os braços e nos divertir” comenta.

Abrindo mão de adjetivos como super-heroína e guerreira, ela afirma: “Ser mãe é ser mãe. Não sou melhor do que nenhuma outra mãe. Erro e acerto. Mas a dose de dedicação, isso sim talvez seja um pequeno diferencial. Não dá para esperar o desenvolvimento natural. Precisamos estar com atenção em cada detalhe sempre, estimular, ensinar e auxiliar muito nos processos de socialização”.

Além de mãe, Ana é presidente do Instituto Autismo & Vida. “O autismo ainda é um grande enigma que a gente se empenha a desvendar porque não existe autista igual a outro”, comenta Ana sobre as características individuais diante deste diagnóstico.


Trabalho pela conscientização e pela disseminação de conhecimento

Antes mesmo de ser presidente do Instituto Autismo & Vida, Ana já costumava atuar em prol de conscientização: “Compreender é a melhor forma de ajudar. Uma sociedade que compreende, aceita melhor. É preciso sensibilizar, aproximar, mas é preciso também que os conceitos se renovem, porque se trata também de compreender e garantir o direito à dignidade que pertence a todo indivíduo”. Para isso, ela e outros pais de pessoas com autismo formam um grupo empenhado para auxiliar como uma rede de apoio às famílias, além de trabalhar voluntariamente pela conscientização, diagnóstico precoce, defesa de direitos e pela disseminação de conhecimento.

Segundo Ana, com a luta de muita gente, e já por muitos anos, as pessoas com autismo ganharam empoderamento nas escolas, mercado de trabalho e espaços de lazer. “O convívio é um fator positivo do desenvolvimento, assim como a inclusão escolar também é um benefício para todos os envolvidos. A pessoa com deficiência ganha apoio em seu desenvolvimento global pelo convívio com seus pares e a criança neurotípica ganha maior capacidade de aceitação. Conviver com o diferente acaba por desenvolver habilidades humanas de considerável importância para sua vida em sociedade”, avalia Ana.


Novas descobertas e desafios

Como mãe de um adolescente autista, Ana está enfrentando novas descobertas e desafios: “O Cadu quer ser independente. Deseja cada vez mais fazer por si, como todo adolescente. É como se a adolescência já intensa fosse potencializada também pelas questões características do autismo”.

Ela conta que a percepção das outras pessoas de que ele é autista fica mais fácil porque ele continua gesticulando e pulando como sempre fez, enquanto a maioria dos outros adolescentes assumem um comportamento mais apático.

Ana também desfaz o mito de que autista não querer interação: “Normalmente, as pessoas com autismo possuem interesses intensos e restritos. Não costumam começar ou manter uma interação como nós típicos, mas, se buscarmos temas que os motivem, podemos ter sua atenção por bastante tempo. O Cadu, por exemplo, pode passar horas falando sobre Dragon Ball, Naruto e outros animes”.


Saiba mais

Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data de 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.
A cor azul, um dos símbolos do autismo, faz referência à incidência maior em meninos, quatro para cada menina.
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento com diferentes graus de manifestação dos sintomas, variáveis de indivíduo para indivíduo (espectro).
Os sintomas aparecem já nos três primeiros anos de vida.
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), acomete cerca de uma a cada 58 pessoas.
É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social.
Apesar do significativo avanço em pesquisas que envolvem a temática, não existem ainda causas definidas, ou cura conhecida para o TEA.
O diagnóstico é feito por neuropediatra, pediatra ou psiquiatra infantil por meio da evidência de comprometimento em um conjunto de aspectos observáveis: comportamento, interação social e comunicação.
Para mais informações, acesse o site do Instituto Autismo & Vida: www.autismoevida.org.br.


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