Com pesquisas sobre moradia, cidades inteligentes e TDAH, estudantes do Colégio Espírito Santo, de Canoas, foram selecionados para apresentar seus trabalhos de pesquisa no Salão de Iniciação Científica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O 38º Salão de Iniciação Científica (SIC) da UFRGS ocorre entre os dias 19 e 23 de outubro de 2026, de forma integrada ao Salão UFRGS 2026. Trata-se do evento mais antigo e tradicional e é realizado presencialmente no Campus do Vale, em Porto Alegre.
Abordando temas extremamente contemporâneos e marcados por relevância social, como o impacto da habitação na saúde, soluções urbanas para eventos climáticos extremos e a neurodivergência nas salas de aula , os grupos demonstram que a formação científica começa cedo.
A iniciativa reflete o investimento do Colégio Espírito Santo no ensino por metodologias ativas, incentivando que os próprios alunos identifiquem problemas reais da sociedade e busquem soluções embasadas em referenciais teóricos e dados científicos confiáveis.

Habitação e saúde
O grupo da Turma 84 (Ensino Fundamental II) investigou a relação direta entre as condições de habitação e o bem-estar físico e psicológico dos indivíduos.
Formada pelas alunas Valentina Boeira, Beatriz Bitencourt de Oliveira, Joana Belles, Mariana Rangel, Laura Alves Werner e Brenda Canesso Rabaiolli, a equipe debruçou-se sobre artigos científicos e dados populacionais para entender a vulnerabilidade social.
“O nosso trabalho fala sobre como a moradia afetava psicologicamente e fisicamente o humano. Explicamos como uma moradia instável pode deixar a pessoa pra baixo, com baixa autoestima, mais ansiedade e mais disposta a ter doenças, diferentemente de uma moradia boa, que proporciona aumento da autoestima, do convívio social e menor predisposição a enfermidades”, destaca Brenda Canesso Rabaiolli, aluna do 8º ano (Turma 84).
A pesquisa envolveu a análise da insalubridade, desigualdade social e ausência de saneamento básico. Entre os dados levantados, destaca-se que mais de 3,1 milhões de habitantes ainda vivem em áreas precárias e periferias apenas na Região Metropolitana de São Paulo, um reflexo que se repete em grandes centros do país. Para enriquecer a apresentação, o grupo produziu maquetes representativas.
“Foi algo chocante no início, eu não esperava que nosso trabalho iria para a UFRGS. Mas fiquei muito feliz, porque demorei bastante para fazer e nos dedicamos muito”, conclui Brenda Canesso Rabaiolli.
Cidades inteligentes
Desenvolvido pelos alunos Vítor Schmegel, João Vitor R. Vier, Manuela Baptista Andreghetto e Manuela Martins de Vargas, da Turma 81 (8º ano), o projeto sobre Cidades Inteligentes nasceu da necessidade de resposta aos recentes eventos climáticos extremos enfrentados pelo Rio Grande do Sul, especialmente as enchentes de 2024.
O estudo buscou dados em universidades internacionais e cases de países que aplicam tecnologia urbanística para minimizar desastres naturais.
“Buscamos pesquisar sobre isso diante dos eventos climáticos extremos que vêm acontecendo. O trabalho consiste em apresentar projetos de cidades que suportam esses eventos e que, no futuro, serão cada vez mais necessários. Uma cidade inteligente é aquela totalmente projetada e preparada para aguentar um evento extremo, como a enchente que passamos no estado”, explica Manuela Martins de Vargas, aluna do 8º ano (Turma 81).

TDAH e a realidade além dos rótulos
Alcançando os estudantes do Ensino Médio, o projeto “TDAH e a realidade além dos rótulos” investigou o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade sob a perspectiva educacional e social.
Elaborado pelas alunas do 1º ano Yasmin Perguer Alves, Julia Barrozo Gonçalves, Elena Meurer Ribeiro, Helena Oliveira Bezerra e Lauren Yasmin de Lima Lang, o trabalho visa desmistificar o diagnóstico e compreender o impacto no aprendizado diante do aumento do número de alunos diagnosticados.

Pesquisa e autonomia
A expansão da participação dos estudantes do Colégio Espírito Santo em feiras externas de renome, como a Mostratec, a feira da PUC e o Salão da UFRGS, é fruto do trabalho integrado da equipe docente. Segundo o professor Michael Costa, que leciona Geografia, Filosofia, História e Sociologia, o desafio é orientar trabalhos com rigor teórico sobre temas contemporâneos e fazer com que o aluno conquiste essa autonomia e o gosto pela investigação científica, pela busca do conhecimento real.
“Orientar esses estudantes é um desafio porque são trabalhos inovadores. Precisamos estar atentos para garantir o embasamento teórico e as referências científicas necessárias. Eles ficam muito motivados, querem se superar a cada etapa para entregar um trabalho de excelência. Diante de cenários atípicos, como as enchentes de 2024 ou o aumento de casos de TDAH no ambiente escolar, os alunos buscam temas atuais para tentar resolver e diminuir as demandas do nosso tempo”, explica o professor.
Para a professora de Língua Portuguesa Aline Rodrigues, que também atua na orientação dos projetos, a pesquisa científica é uma ferramenta fundamental de aprendizagem com significado, conectando a teoria ao cotidiano e preparando os jovens para o uso crítico da tecnologia e a transição para o ensino superior.
“Proporcionar feiras de pesquisa desde o Fundamental II desperta no aluno a vontade de investigar a partir de um problema real. Eles aprendem a buscar livros e sites confiáveis, entendendo que nem tudo na internet é verdade. Com a Inteligência Artificial, o desafio é mostrar que ela é apenas uma ferramenta acessório, pois o aluno precisa pensar, ter senso crítico, saber formular as perguntas certas e desenvolver a escrita autônoma. Quando a aprendizagem faz sentido para a vida deles, o conhecimento se fixa de verdade”, avalia.